quarta-feira, outubro 07, 2015

MIGUEL ARCANJO IN MEMORIAM

MIGUEL ARCANJO IN MEMORIAM

Um dia comecei uma homenagem assim: “Éramos seis, cinco gatos e um humano”. Novamente somos cinco, quando escrevi esse texto já me conscientizei que a Juma era a primeira a partir, porém, se eu vivesse veria os demais partirem, e assim aconteceu, a roda do destino nos mostra que ela não para, ela segue seu caminho trazendo e levando nossos amores, sejam humanos ou não humanos.

Primeiro foi a Juma, depois a Uriel, o Juca e agora o Miguel Arcanjo.
Durante toda sua agonia, toda sua história (nossa) passava em minha mente como um filme antigo, daqueles em preto e branco.

Era um dia chuvoso e uns seres das trevas o jogavam contra a parede como se ele fosse uma bola, ele era apenas um filhotinho indefeso, quando o aninhei em meus braços todo molhado e assustado meu coração transbordou de amor e compaixão por aquela criaturinha frágil e ultrajada.

Não tinha condições de adotá-lo, não tinha para onde levá-lo, havia perdido tudo de material, não tinha trabalho, não tinha casa, não tinha dinheiro, não tinha “futuro”, porém, não podia deixá-lo, e assim ele entrou em minha vida naquele novembro chuvoso.

Assim, como a Esperança mais um para eu encontrar um adotante, uma família, ficaram escondidos em meu quarto, a gente sempre acha que vai aparecer alguém que os adote, que lhes dê uma vida digna, mas não apareceu, mas quando seguimos o caminho do coração acontece alguma “magia” não apareceu ninguém e para nossa sorte, minha e deles, ficaram, vieram encher minha vida de luz e de esperança.

Um mês depois me mudei de cidade e trouxe na bagagem mais dois gatos a Esperança e o Miguel Arcanjo.

Até os oito anos de idade o Miguel teve uma saúde excelente, nem pulga o danado pegava, era o caçador da família. Foi o único que passeava pelos muros da vida, para meu desespero, como tinha medo dos humanos não ia longe demais, ficava sempre por perto, no telhado da Ruth Avelino da Costa e no quintal da vizinha cheio de animais, árvores e plantas esse era seu deleite ficar caçando lá.

Apesar de ser doce e amoroso, nunca perdeu o medo dos humanos, poucos o viram frente a frente, bastava o toque da campanhia para que se escondesse.

Logo após completar oito anos, começou a vomitar e a ficar apático, nos exames veio a sentença: insuficiência renal, quando vi as taxas, pensei: não vai conseguir, pois a pouco tempo a Uriel havia partido em uma semana com essa doença cruel. As taxas dele eram quase três vezes maiores que as da Uriel.

Passado o susto, lutamos juntos a cada minuto, dia, mês e anos juntamente com sua veterinária Drª Otília Link, ele teve qualidade de vida por três anos e dez meses, com algumas recaídas sempre mantidas sob controle.

Estávamos sempre na corda bamba por saber da gravidade da doença, mas mesmo dentro dessa tensão permanente, ele teve qualidade de vida.

Todos veterinários diziam que era um milagre estar vivo, pois nunca haviam visto taxas tão altas em gatos. Essa afirmação me fazia “correr” atrás de tudo para complementar seu tratamento.

E assim, seguiram os dias, meses e anos, mas tudo na vida tem um final nesse mundo físico, de repente ele foi acometido por uma pneumonia, parecia estar curado, mais foram surgindo outros problemas que mesmo com exames, não sei ao certo o que de fato aconteceu.
Ele teve todo o tratamento que se pode dar, não deixei nenhuma sugestão para atrás, tudo foi tentado incansavelmente, porém, quando a chamada “morte” nos visita, ela não perdoa, ela segue sua tarefa, sem trégua, sem compaixão.

Primeiro ela fica à espreita, fica ao longe e aos poucos vai se aproximando, depois senta-se na soleira da porta, ao sentar-se fica pacientemente esperando os momentos finais dos nossos amores, sejam eles humanos ou não humanos, e só parte levando parte do nosso coração com ela, e deixa apenas um corpo inerte, sem vida, muitas vezes marcado pela dor e sofrimento final.

Assisti essa cena cinco vezes em minha vida, a primeira foi um humano que partiu em meus braços, nas outras foram meus filhos do coração, não sei se eles tivessem saído do meu ventre doeria menos, a partida é igual, dolorida e misteriosa para humanos e animais.

Desde a madrugada ele estava muito mal, ao amanhecer já nem tentava caminhar, fiquei de sentinela ao seu lado, não ousava sair de perto, horas antes de sua partida eu falei para uma amiga que era questão de horas.

Aprendi a ler nos olhos dos que partem que a hora final chegou.
Apesar de aceitar que todos irão embora um dia, que não há privilégio para nenhum ser vivo deste planeta, humanos, animais, árvores frondosas e seculares etc., não consigo entender para que tanto sofrimento, em especial nos momentos finais.

Quando vemos um grande amor partindo, rastejamos pedindo misericórdia, primeiro imploramos pela cura, depois imploramos pela partida, de tão doloroso que é o processo, mas sempre fico falando para mim mesma, é doloroso para você? Imagine para ele (s) que está sofrendo essa dor e agonia.

E finalmente ele se foi, depois de muito sofrimento, apesar de tudo, me sinto abençoada por poder estar presente, segurando em sua pata, o ajudando a partir, para viver em outras esferas, sem dor ou maus-tratos, e por ter cumprido minha promessa no dia em que o adotei que enquanto eu vivesse que ele nunca mais seria maltratado.

Minha esperança e fé são tão grandes de que exista a Ponte do arco-íris, deve existir um lugar assim, se aquilo de animava aquele corpo e que chamamos alma partiu, deve ter um lugar para viver para animais e humanos, e esse lugar tem que ser melhor e mais justo para os animais domésticos e para todos os animais, em especial para os que sofreram maus-tratos, naquele exato momento centenas, milhares de animais também partiram, muitos pela sanha doentia dos humanos.

Ele partiu às 16:19 minutos, o sepultei embaixo de uma frondosa paineira às 22:00 horas, mais sua alma está plantada dentro do meu coração, e não há homem e nada nesse mundo que possa retirá-lo, mesmo além da vida física, eu tenho esperança que um dia vamos nos reencontrar, ele já deve estar com seus irmãos, foram na frente para preparar nossa “casa” definitiva.

Depois de tudo concluído fisicamente fiquei olhando para aquele corpo inerte, como se, de repente fosse receber um sopro de vida novamente, mesmo enquanto esperava chegar o momento para sepultá-lo, sempre sepulto algumas horas depois assim como fazemos com os humanos, parecia que alguma coisa ainda podia acontecer.

O Miguel foi agraciado com um milagre no início da sua doença, mas milagres nos dias de hoje são raros.

Meu agradecimento a sua veterinária que lutou bravamente ao nosso lado sempre, que tentou todas as alternativas, e eu acredito sinceramente que ele conseguiu viver com qualidade de vida por causa do tratamento com homeopatia, obrigada Drª Otília.

Minha eterna gratidão ao Guilherme Franco que fez com que nossa luta fosse mais leve, sempre pronto para correr ao veterinário conosco, muitas vezes deixando seu trabalho de lado, esteve sempre a disposição para os exames mensais, além de ajuda financeira.

Meu agradecimento especial a Andressa Mello, Dê minha gratidão eterna a você mais uma vez, mesmo distante me acompanhou passo a passo as horas finais do Miguel, me dando orientações, apoio e carinho.

Até qualquer dia guerreiro Miguel Arcanjo, Malelo do meu coração, você não foi embora, fez uma viagem longa, qualquer hora vou visitá-lo, dê lembranças a Juma, Uriel, Juca, Petita, Joe, Bibi, Princesa, Lady, Tinão, Bebê, Nino e a Megg.

*26-11-2002
+06-10-2015

Miguel contando sua história

Mais um aniversário

Aniversário de 10 anos
Citação. - Juma In Memoriam

“A vida não passa de uma oportunidade de encontro; só depois da morte se dá a junção; os corpos apenas têm o abraço, as almas têm o enlace.”
Victor Hugo.



Últimos dias
06-10-2015  

06-10-2015 
06-10-2015
De manhã  06-10-2015
05-10-2015
02-10-2015
Lutando para viver, para interagir com o mundo.

Tomando Kefir
Tomando água na fonte, um guerreiro que não desistia

12-09-2015  ainda estável
12-09-2015  ainda estável

20-09-2015
Mesmo após a pneumonia não desistia de continuar

Adorava subir no muro, última vez
Abril 2015

Descobrimos que ele era um paciente renal em dezembro de 2011, porém teve  uma vida estável por alguns anos.
19-07-2015

Seu refúgio preferido no banheiro.
Relaxado e feliz, apesar de tudo.
Março 2015
agosto 2015
Maio 2015

Miguel e Esperança julho 2015

 Paixão pelo muro  junho  15
 junho  15
 junho  15

2014 
Com  com Tiquinho 2014
Fevereiro 2014
Gato zen
Janeiro 2014
Janeiro
Ensaiando para subir no muro.
Descendo do muro.
Recuperando-se de uma crise em 2014
2013
Janeiro 2013

Junho 2013
 Pequenos prazeres, já que só comia ração seca.
Raridade, Esperança não sobe no muro, vendo os pássaros.
Compartilhando com a Esperança.






Sua cesta preferida


2012
 Novembro 2012
Outubro 2012 
 Junho 2012
 Com a Megg  agosto 2012, agora estão juntos novamente.
 Comia catnip ao invés de brincar,  Maio 2012
 Setembro
 Novembro mês do seu aniversário
  Novembro 
  Novembro 
Com a Esperança agosto



2011
 Tempos de saúde Janeiro
 Fevereiro 2011
Fugindo para a casa da vizinha 2011 
 Meditando, os dias que viriam
Agosto


 Julho
 Abril
 Abril




 Início da doença dezembro 2011
  Início da doença dezembro 2011
  Início da doença dezembro 2011
 Início da doença dezembro 2011

2010
Família reunida, só faltava a Juma, que já tinha partido para a Ponte do arco-íris.
 Miguel e Uriel  Agosto 2010
 Miguel, Juca, Uriel e Esperança
 Miguel, Uriel e Juca
 Miguel Arcanjo

 Julho 2010
Julho 2010 
 Outubro 2010
 Miguel, Esperança e o catnip
 Junho 2010
 
 Junho 2010
 Miguel e Juca, agora estão juntos na Ponte do arco-íris
 2010
 2010

 Miguel me ajudando a trabalhar
 2010


 Outubro 2010

Escondido das visitas  
 2010

 Dias de paz e saúde



 2009


 Tirando uma soneca com a Esperança
 Seu grande amigo Juca Raphael
 Com a Uriel

 2009
2009


Presente de aniversário de uma criança para o Miguel
Miguel e Juca 2008
Miguel e eu 2008 
2007
2006
2005
Dezembro 2002
Miguel no dia em que foi castrado 18-05-2003
2005
Dias felizes

Lembranças...


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Depois de vê-lo sofrer tanto, especialmente nas horas finais essas são as lembranças que quero guardar em meu coração e na alma.





Memórias que o tempo jamais apagarão.












sábado, setembro 19, 2015

Notícias do Miguel Arcanjo 19-09-2015


O Miguel foi ao veterinário pela manhã, antes ele e a Esperança foram fazer o exame de rotina de função renal, foi passando muito mal pelo caminho e na hora do exame até a veterinária estava assustada, inclusive a veterinária que colheu o sangue mandou que corrêssemos, para a consulta que já estava agendada.

Estava em crise, sem ar, em um sofrimento atroz, a veterinária dele o atendeu imediatamente, além do tratamento convencional foi fazendo outros tratamentos naturais. 
Ele só piorava, parecia que os pulmões iam pular para fora daquele corpo frágil.

Que desespero, fiquei só com ele em uma sala, dando gotinhas a cada cinco minutos. De repente começou a babar muito. De vez em quando a veterinária vinha vê-lo com mais alguma coisa para socorrê-lo.

Ela ia fazer punção, porém, temia que não agüentasse, RX seria o ideal para ver como estava, em sábado era pouco provável que conseguisse já era mais de meio dia, ela ligou no laboratório e lá fomos nós, sou muito conhecida nesse laboratório, pois vou lá todos os meses com eles.

Durante todo esse tempo ele estava muito mal, piorou ainda mais, dava para ver no rosto das veterinárias (desde o exame de sangue) “escrito” não vai resistir, inclusive a veterinária que colheu sangue veio ajudar na hora do RX, estava difícil posicioná-lo para o exame.

Havia liquido no pulmão direito, voltamos para a clínica, a veterinária mandou que fossemos rápido enquanto isso ela ligaria para a veterinária dele para passar o laudo, levei só as imagens.

Quando chegamos lá estava pior ainda agora babava demais era assustador.

Fiquei em uma sala com ele, enquanto a veterinária terminava um atendimento, de repente ele deu um “grito”, estava em agonia eu só chorava, e pedia que ele não sofresse mais, chorei tanto que já não tinha mais pedidos a fazer.

De repente comecei a respirar fundo e me veio uma serenidade tão incrível, e ai o entreguei verdadeiramente. Nas três crises quase seguidas eu havia falado para ele ir embora, que não sofresse mais, quando havia dito isso estava angustiada demais, para ter “validade” de fato.

Agora eu só queria acabar com aquele sofrimento, conversei com ele calmamente, contei quando o encontrei, falei tanta coisa, só queria que ele fosse embora, falei dos irmãos que já tinham ido embora, ele adorava o Juca, falei que o Juca o estava esperando, de vez em quando ele olhava para cima como se estivesse vendo alguém.

A veterinária chegou olhou o RX e resolveu fazer a punção, agora tinha o lugar exato, mais o liquido estava muito grosso e não saiu nada.

Ela deu mais remédios, ficamos sós novamente, a paz e o silêncio reinavam no ambiente, eu só ouvia sua respiração forte, ele deitou a cabecinha em meu braço e ficamos ali, eu não queria um milagre, não pedia mais nada, eu apenas o queria ver livre.

Ficamos um tempão assim, ele melhorou um pouquinho e viemos embora com uma ”sacola” de remédios. No caminho teve outra crise, dessa vez bem menor.

Cheguei em casa preparada para nos despedir a qualquer momento, não queria e não quero o ver assim.

Eu não “aceito” a eutanásia, não, enquanto eles ainda tiverem estímulos, quando não tiver nenhum estímulo, ai vou pensar no assunto. Mas durante todo o tempo eu o fiquei afagando e ele balançava o rabinho e erguia a cabeça para eu acariciá-lo.

Já em casa ao colocá-lo na cama. Ele queria ir para o chão, fiz tudo para impedir, o chão é muito frio, mais não teve jeito. 

Quando o coloquei no chão saiu cambaleando, queria andar, lentamente, porém, se esforçava em andar, depois se deitou embaixo da cama, me deitei ao seu lado a respiração ainda estava muito forte, não estava abrindo a boca como se estivesse sem ar.

Acreditem, a pouco tomou água sozinho duas vezes, fazia vários dias que não tomava água sozinho, e agora enquanto escrevo está sentado no quintal muito ofegante, não quer saber de deitar, quer aproveitar cada segundo de sua vida contemplando a natureza.

Estou perplexa, aconteceram tantas coisas nessas últimas horas no veterinário até chegar aqui, que ainda não sei avaliar o que está acontecendo, não estou nem conseguindo agradecer, agradecer, agradecer como sempre faço, me sinto anestesiada.

Não sei como será a nossa noite, nem como será o amanhã, porém, estou em paz, e acredito que agora de fato ele está entregue.

Ele está tomando remédios toda hora, mais agora não há mais ansiedade, medo ou angustia, apenas cuidados amorosos.

Ele está vivo, e o melhor estamos juntos.

O amanhã não nos pertence, vamos viver o agora.
Gratidão a todos que tem orado por ele, continuem, ele continua necessitando muito.

Meu agradecimento especial a sua veterinária Drª Otília, que além de competente é uma pessoa amorosa, solidaria e de uma compaixão imensa.
Gratidão Drª Otília ele ainda está aqui por seu carinho e respeito por nós.

Eu não ia postar esse desabafo, alguns criticam, resolvi fazê-lo, pois talvez essa paz estranha permaneça e possamos vencer mais essa. 
Gratidão!
Amor e Luz
Miguel Arcanjo e Marlene

Obs: acabou de ir ao prato de ração e comeu um pouco.

Essa foto foi tirada na clínica, assim que ele ficava com a boca aberta. depois foi enfraquecendo e se deitou.

sábado, setembro 05, 2015

NOTÍCIAS DO MIGUEL ARCANJO 05-09-2015

NOTÍCIAS DO MIGUEL ARCANJO 05-09-2015

A noite foi longa e muito difícil, fomos ao veterinário à tarde, e lá ele teve outra crise, ficamos algumas horas lá e a veterinária conseguiu estabilizá-lo.


Ao chegar em casa ficou muito mal novamente. Depois das 22:00 horas piorou ainda mais, parecia que estava indo embora, eu só pedia que se fosse a hora dele que por misericórdia não o deixassem sofrer.


Estava deitada ao seu lado, o barulho da respiração era assustador, continuei dando os remédios seguidamente. Ele fez xixi em si mesmo algumas vezes, isso não é bom sinal em gatos.


A cada instante a respiração acelerava mais, da mesma maneira dos momentos finais da Uriel.


Agora eu tinha apenas um fio de esperança, só pedia que não sofresse. Porém ao mesmo tempo perguntava se ele ainda tinha uma chance, já não pedia mais uma chance, apenas questionava.


Exatamente às 3:34 minutos, ele levantou-se, eu o ajudei a descer da cama, e foi ao pote de ração e comeu.


Eu ria, chorava e agradecia e a esperança voltou.

Eu estava pedindo que ao menos conseguisse relaxar um pouco e conseguisse respirar.

Então o coloquei novamente na cama, a respiração amenizou e conseguiu dormir até às 5:30.


Ainda está muito ofegante, fraco e apático, mas esperança voltou, vou levá-lo ao veterinário mais tarde.

Orem por ele.

Minha oração pessoal continua a mesma, eu o quero vivo, mas antes de tudo com qualidade de vida, ele não me pertence, somos companheiros de jornada, ele está livre para ir embora, dói muito dizer isso, mas não tenho o direto de retê-lo.

Orem, por misericórdia.
Gratidão a todos.